Brilhai a vossa luz - Sem apagar a dos outros

Um texto pode nascer das mais variadas situações; as ideias, as inspirações podem vir de qualquer lugar, de uma conversa espontânea, de uma sugestão... Pois assim veio esse, de uma sugestão, um pedido especial.
Um certo físico me disse que dois raios luminosos, quando se encontram, ou convergem (de forma bem simplória, juntam-se numa mesma direção) ou apenas se ultrapassam, sem que um  "atrapalhe" o brilho do outro. Junto com essa informação, veio a proposta de que eu escrevesse algo a respeito (adoro um desafio...)
Sendo eu quem sou, foi impossível não transportar essa ideia para as nossas relações, as diversas relações humanas.
Vivemos num mundo em que as pessoas se tornaram tão individualistas que a ideia de convergir é praticamente um mito, poucos existem que estejam realmente dispostos a brilhar juntos (tem até uma galerinha por aí disposta a economizar o seu brilho pra pegar carona no brilho alheio... mas enfim).
Mas pior do que isso, as pessoas fazem questão de atrapalhar o brilho do outro, de não permitir que o outro brilhe mais.
Fico imaginando um firmamento inteiro de estrelas brigando porque a estrela X é a mais forte da constelação (imaginei a Ursa Menor tentando apagar a Ursa Maior - imaginação fértil é um perigo). Na verdade nem haveria constelações, se o brilho de uma estrela superasse o da outra (pelo menos eu acredito que não - não entendo nada dessas ciências, sou das palavras).
O fato é que esse comportamento, que sempre foi mais comum ao ambiente de trabalho (quantas histórias de tramoias para impedir que A ou B fosse promovido - quando o dinheiro entra em cena a humanidade pula pela janela), está também impregnado nas relações mais íntimas, nas amizades, nos amores, nas famílias, nos ambientes religiosos (embora não saiba se dá pra chamar de religião certas coisas que a gente vê por aí hoje em dia) 
Quantas vezes vemos casamentos terminarem porque a mulher de repente recebeu uma promoção ou ganhou um cargo importante e o marido não suportou vê-la ganhar mais ou ter um "status" que ele  supostamente não tinha? (Crescer juntos, somar,  nunca é uma opção para esse povo) Quantos irmãos disputam entre si a atenção dos pais, usando de todos os artifícios para que o outro seja deixado de lado? Quantos amigos disputam quem será o mais bem sucedido com as mulheres, fazem apostas de conquistas? ( e isso não é só nos filmes, meu povo... tem na vida real também, pasmem) 
A coisa anda tão esquisita que andam até deixando recado nas mídias sociais do tipo "seja feliz, mas não conte para ninguém porque a felicidade incomoda"... Quer coisa mais triste?
É impossível não pensar na passagem bíblica. "Brilhai a vossa luz" (pois é não se disse brilhai mais a vossa luz ou brilhai só a sua luz, mas enfim...) Se cada um se esforçasse para fazer a sua luz brilhar, sabendo entender se o momento externo seria de convergir com as outras luzes ou simplesmente ultrapassá-las, tudo seria muito mais simples.
Pense num show de luzes de um evento qualquer... A beleza está na harmonização dos diferentes feixes de luzes, é a combinação que gera as imagens, que cria novas cores, novos padrões luminosos, é a convergência, o encontro harmônico...
Se você acender duas luzes num quarto escuro, mesmo que as duas tenham potências diferentes, no final ninguém vai se perguntar qual das duas é a mais forte. O que realmente vai importar é o efeito que fazem juntas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Professora sim e com muito orgulho!!

OCULTA SINTONIA