REFLEXÕES DE UM ROCK PERDIDO

  A vida é realmente estranha, para não dizer desajeitada (ou será que ela apenas sabe qual o nosso caminho?) Às vezes é tão dura quando nos faz perceber que permitimos que a oportunidade se fosse, ou pior, quando percebemos que expulsamos "A Oportunidade" da nossa vida (nessas horas vale incorporar Camões e dar vida a certos nomes).
  Você passa a vida inteira procurando por algo e quando se vê diante de algo bem próximo do que você desejava, age feito uma criança que acabou de pescar o maior peixe da sua vida e, na ânsia de ter certeza de que era de verdade, deixa que ele escorregue de volta para a água...
  Não sou das mais convictas de que o destino exista, não acredito que exista amor perfeito (embora ainda sonhe com ele). Vejo que tudo hoje é muito instável, muito frágil, tudo é volátil, se vai com um sopro.
  A vida, até o presente momento, não tem me mostrado nada muito diferente. 
  Certa vez me surpreendi ao ouvir uma das pessoas mais racionais e céticas que conheço me falar que acreditava em amor incondicional. Foi muito estranho ver que eu, a sentimental, a boba romântica, não compartilhava daquela crença... Estávamos  em situação inversa...
  Não acredito que haja no nosso meio amor incondicional (exceto o de pais e mães - mesmo assim apenas alguns). Todo relacionamento amoroso é condicionado (em alguns casos as condições são tantas que levam ao fim). Enfim, a vida me fez ver as coisas dessa forma.
  Por isso algo que me pareça muito ideal, como o que se vê nos filmes, da mesma forma que me encanta, faz com que me assuste profundamente, ativa todos os meus mecanismos de ansiedade e proteção. 
  Aí a pessoa aparece, sabendo tanto a seu respeito como se te conhece desde a eternidade... O elo mais forte a música, o rock pra ser mais precisa, uma paixão fortíssima... Tudo parecia perfeito demais, pra quem sempre vive esperando um mas. E pronto, tudo a perder (lá se vai o peixão de volta pro rio)
  Mas dói...  
  Dói perder a magia da troca numa canção, a cobrança pra ter ver andar pra frente, a espontaneidade de uma música chiada gravada do rádio do carro, as fotos de qualquer coisa em qualquer lugar a qualquer hora, as risadas, a implicância, o cuidado, a preocupação...
  É fato que tudo não se foi de vez, algo ficou da preocupação, do cuidado, do te conhecer em poucas palavras ( e não vai sumir)  
 Mas saber que podia ser diferente e que você mesmo fez tudo isso evaporar dói...
  O que resta? A esperança de que a vida siga seu rumo, trazendo outras oportunidades (e que você segure o peixe - pelo amor de Deus). A esperança de que o tal destino é que tenha mandado o peixe para outros mares...
O que fica? Aquela canção, aquele rock (ao vivo, porque é sempre melhor - é o que dizem) que nunca mais será ouvido da mesma forma novamente, sem que uma gotinha de tristeza apareça no cantinho dos olhos... 

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