Como não ser trouxa...
Em tempos de facebook, circulam por aí muitas frases e pensamentos das mais diversas naturezas. Alguns marcados pela ironia exercem uma certa atração sobre mim (Por que será?). Um desses dizia "Bondade é igual blush, tem de ser na medida certa senão acaba virando palhaça".
De repente me vi no direito de analisar esse sábio provérbio.
Nunca fui muito afeita a essa ideia de que há limites para ser bom, mas de uns tempos pra cá tenho questionado esse meu princípio. É impressionante o número de pessoas que por serem boas são usadas pelos outros na mais deslavada cara de pau (tem muita gente por aí usando óleo de peroba como perfume).
Usam-se das mais variadas mentiras e omissões para fazer o pobre bom coração abrir-se para então ser feito de trouxa (muitas e muitas vezes). Há quem já tenha se tornado profissional (praticamente PHD) em ser feito de trouxa pelos "amigos", "amores".
Mas tenho percebido que há nesse caso dois tipos de trouxas (sim é isso mesmo - e não me condene, pois falo do alto de uma vastaaaaaa experiência no assunto)... Voltando aos meus estudos práticos sobre o problema. Há dois tipo de trouxas:
- Em primeiro lugar, temos o trouxa por excelência aquele que nem sequer percebe que está sendo feito trouxa.
- Em segundo lugar, temos o trouxa Sherlock Holmes. Trata-se daquele cuja intuição investigativa dá sinais de alerta para o caso.
Os trouxas Sherlock Holmes, por outro lado, sofrem bem mais, pois até crer realmente que estavam trajando nariz de palhaço e calças largas, passam por todo um processo de reconhecimento do caso. Daí começam as investigações e nesse processo você vai tomando conhecimento de quantas mentiras, histórias, dramas, foram feitos apenas para lhe fazer crer nas necessidades da criatura e dar a ela o que ela precisava de você.
O fato é que esse tipo de gente que curte se aproveitar da bondade alheia ou satisfazer o próprio ego (sei lá o que tem uma criatura dessas na cabeça) não costuma ser das mais espertas, sempre deixam rastros (ou talvez não se importem em apagá-los, afinal que trouxa iria desconfiar, né?). E é aí que começa o drama do trouxa Sherlock Holmes.
Pensem comigo: Ainda que dotado de alguma esperteza investigativa, é um trouxa, logo terá dificuldade de crer que aquela pessoa (justo aquela pessoa tão querida) o esteja enrolando e aproveitando-se do seu bom coração (ou em alguns casos procurando um step, um stand by). Então inicia o sofrimento, o pobre dá ao outro várias chances de dizer a verdade, são várias dicas, pequenos testes, para que o mentiroso se acuse, mas nada... Aí começa a perceber que todas as desculpas eram simplesmente mentiras, que nada era como esperava. Aí vem a decisão difícil, "Não ajudo mais, não vou dar mais um minuto da minha atenção" (e como é difícil essa decisão, pois em geral o trouxa se afeiçoa ao seu enganador - será talvez uma nova variante da síndrome de Estocolmo?)
Então vamos lá! Manual didático-prático para se manter são e salvo apesar da sua natureza de trouxa:
1- Ouça a voz das pessoas que te cercam - Se todos te dizem que Fulano está te enrolando e só você não vê, não significa que você está certa e os outros errados, significa que você é trouxa e que enganar uma pessoa só é muito mais fácil do que enganar todo mundo.
2- Observe o histórico da criatura. Na vida real (sim existe uma vida real que nada tem a ver com aqueles filmes lindinhos que você perde seu tempo assistindo), poucas pessoas são realmente capazes de mudar... Então corra antes que seja tarde demais para a fuga.
3- Aprenda a se proteger e não seja sempre tão boazinha, diga não muitas e muitas e muitas vezes, se a pessoa ainda assim permanecer ali está liberada do título de enrolador (em geral os enroladores tem pouca tolerância ao não).
Assim você não deixará de ser trouxa, mas pelo menos sofrerá menos com a leviandade alheia.
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